domingo, 3 de maio de 2009

Prova de "Oni"

Negação e liberação - O problema da verdade
Aforismos a partir do livro O Anticristo de Nietzsche

Oni

Eis um pronunciamento tipicamente sacerdotal: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” Na boca daquele que talvez tenha sido o único cristão, o que morreu na cruz, colocou-se essas palavras. A afirmação tornou-se uma condição para a fé, algo em que “deve-se” crer para “ser salvo”. A formulação unívoca compreende uma doutrina cristocêntrica, um falso orgulho, a grande mentira sobre a qual se fundou o cristianismo. O Deus único, o filho único, o único caminho, a única verdade, a morte de Cristo na cruz como “a verdade”, são, conforme Nietzsche, produções do "ressentimento", um jogo sedutor de palavras que faz de uma doutrina um critério de verdade.
A morte na cruz pode, no máximo, ser conseqüência de uma vida que se viveu de forma instintiva, não um pretexto para a instituição de uma verdade. O cristianismo fundamenta-se em algo absurdo, o amor de Deus pressupõe o sacrifício do seu filho. Pela morte do Salvador, a humanidade tida como pecadora é remida e o sacrifício dos inocentes é poupado. No pensamento bíblico, entende-se por inocente todo aquele que realiza na terra o desígnio divino da salvação, como Abel que foi vítima de seu irmão e Jesus que expiou a humanidade. Exceto o derramamento de sangue inocente, pela doutrina do pecado original, não há nenhum justo na terra, pois, a partir de Adão, todos já nasceram no pecado e carecem da salvação. O cristianismo estrutura-se sobre categorias dialéticas, tais como: justificação (a vida é negada para ser justificada), redenção (a vida é condenada para ser resgatada), reconciliação (a vida é acusada para ser absolvida).
A crucificação de Cristo é para os cristãos uma tragédia definitiva, uma catástrofe moral, inigualável. Também na tragédia grega, especialmente em Dionísio, estão presentes as idéias de martírio e sofrimento, mas com sentido oposto. No cristianismo, o sofrimento acusa a vida, testemunha contra ela, por isso, a vida deve ser justificada por Deus. Na tragédia grega a vida é essencialmente justa, não é para ser justificada. Ela é que se encarrega de justificar-se. Para os antigos gregos, a vida não supera a dor interiorizando-a, mas afirmando-a no elemento de sua exterioridade. A partir da perspectiva da salvação cristã, a vida é o caminho para a santidade. Na perspectiva dionisíaca, a existência é suficiente para justificar a imensidão dos sofrimentos.
Através da doutrina da crucificação, pela ideia da “vingança” da morte e esperança de uma “recompensa” na vida eterna, nega-se e despotencializa-se a vida. O cristianismo nada realiza senão a promessa de uma vida eterna no futuro. Dessa crença vive o crente, projetando para o além um sentido para a sua vida. Logo, a fé não conduz à salvação, mas torna-se falsa fé, porque mente.
A idéia de que o ser humano necessita de salvação é uma grande maquinação sacerdotal. Alguém somente pode sentir necessidade de “ser salvo” se é convencido de sua má consciência, que o acusa como “pecador”. O sacerdote subsiste pela invenção da ideia do pecado e pela constante produção de um sentimento de impotência. Ele tem interesse de que a morte seja compreendida na ideia de sacrifício expiatório, negando a morte e criando a fábula da ressurreição. Para manter-se no poder, nega a própria vida e tira dela toda a sua gravidade, a natureza do instinto, a expressão de sua razão.
Como livrar-se da pretensão sacerdotal de querer libertar a humanidade? Os sacerdotes não são inocentes. Deuses existem como reflexos do poder do homem. A ideia sacerdotal de que o sacrifício é necessário para haver salvação é uma usurpação da própria vida. Os sacerdotes são falsos e cheias de artimanhas são as suas palavras.
Como fugir da falsa admoestação de si mesmo? A vida não precisa ser negada para ser afirmada. Se alguém aspira a alguma verdade, não vai encontrá-la em uma pessoa nem em si e nem em coisa alguma. A verdade não é algo que se possa possuir ou reter. Se é que alguma verdade possa ser dita em alguma circunstância aceitável, ela sucede ao sentido, jamais o contrário. Viver o sentido que se vive não tem nada a ver com o verdadeiro e o falso, mas apenas com a vontade de uma vida. Nada de sacrifícios e nem catarses, apenas celebração e afirmação da vida.

domingo, 29 de março de 2009

Prova de Marcos Oliveira

Prova aplicada no dia 16/12/2008, na sala 808 da FACED/UFRGS.

Tema 4 “A ferida trágica: implicações epistemológicas de um uma doutrina do coração”; ponto “34,35: morte”.


DA BOCA
– Uma Prova de Confissão –

Como honrar um “portador da boa nova”, um homem que não é mais que o efeito da vida praticada em seu corpo? O que cabe àquele que morre no gosto almiscarado da purulenta mundanidade encarnada no gosto da vida? Como honrar aquele que abandonava-se em alegria e dor?
Preambulares, assim, as questões como aportes reflexivos de um pesado olhar sobre aquele que fez-se ninguém servem para não repetí-lo, não honrá-lo. Aquele que FAZ, ainda e depois de sua morte factual (facticídio operado pela linguagem reflexiva), vive, que se saiba, mesmo no corpo de quem o nega. O portador da boa nova, aquém de qualquer honraria, pratica mais uma vez seu legado irrecusável: sua política afirmativa, viajante como um coração cosmonauta haroldiano, é a potência mais alta, mais tópica: o Cristo nietzschiano é o homem que, quando aquém de si, faz sua vida, escreve-a.
A implicação de tal política viajante, a derrisória pragmática que afasta qualquer espírito desencarnado, qualquer vida não concreta, impossibilita artifícios lingüísticos como os do início deste texto: um questionamento – seja pela via reflexiva, seja pela estereotipia da ficção – incessante pelo legado clerical do grande Sentido – Oh! O Nosso Senhor!
Estaríamos, agora, não mais submetendo-nos a este exercício de desapego ao corpo (esta metatextualidade que cracteriza nossa ciência sem cheiro) se não nos colocássemos “em negação”, negando? Pois sim, não. Negamos Cristo para podermos confessar, neste lugar privilegiado da culpa, a “prova escrita” – provação manuscrita e que, no entanto, nega o cheiro e todo nosso corpo –, toda nossa morte (em vida).
Pergunta-mo-nos se, caso Cristo não estivesse sempre já aqui, se Cristo surgisse factualmente corporificado nessa terra, ária de escrituras áridas, num corpo fatídico de qualquer um de nós, comumente reflexivos no uso de nosso corpo, qual calvário encontraria? Sim, pergunta-mo-nos. Não, responde-mo-nos. Certamente sua fulguração eminente não encontraria o clamor da morte: tal espetáculo biblesco, paulético, a crucificação onde o cessar rítmico da vida encontra a negação peremptória no Cristão que surge, não ganharia mais notoriedade que a morte presentificada em cada intervalo do peito. A morte, no Cristo nietschiano, dispersa toda reflexividade na linguagem viva, qualquer ficcionalização fácil de seu jogo tanatográfico. Somente um corpo que, negando a vida, nega a morte, é capaz de morrer, de encharcar a morte de fraqueza. Vive-se a morte, eis a boa nova, na eternidade repetida de um corpo que diz SIM. O calvário é a prova (eis-la aqui), o templo de uma linguagem cristã: FALE MAIS SOBRE ISSO.

< Faz-se preciso: reproduziremos uma página escrita durante a estadia neste Seminário. A mão ajoelha. A boca confessa.
“Eu neguei Cristo em mim, não importa quantas vezes, pois neguei meu corpo, meu texto, entregando-o às salvadoras chibatadas do Sentido.
Como penitência, agora que me faço digno dela, relato minha negação:
FAÇO. Inerte, com o pesadume de suas peles, ELA, inerte, com o pesadume de suas peles, FALE MAIS SOBRE ISSO.
FICO. Inerte, com o pesar de minhas patas, ESCRIPTOR?, inerte, com o pesar de minhas patas, COMA O QUANTO APLAUDIREM.
FRACO. Parvos, TODOS, parvos, PERFEITO.”

Qual Cristo negamos? Qual Cristo apossou-se de nosso corpo? O que um texto faz? >

Apontamentos da Professora:
I – Boa boca bocejante que muito vazia FEDE.
II – O escritor tem boca ou NERVOS?
III – Toda escritura NEGA cheiros?
Tarefa 1: desdobrar em textos os fragmentos oferecidos pela professora-leitora.
Tarefa 2: digitar prova e desdobramentos.

Desdobramentos:
I – A boca vazia é o ralo do sentido.
II – O escritor cria um corpo voluptuoso.
III – A escritura exala um corpo.

Prova de Deniz Nicolay

S.A: O Anticristo na Sala de Artes
Prof. Dr.(a) Paola Zordan
Texto-exercício referente ao 2º semestre de 2008.

Estruturas de culto, religião e ligações com o Divino:

Aquilo que está no fundo da religião Judaico-Cristã, que anima sua crença no “outro mundo” em nome dos valores escravos como afirmação “desse mundo”, não é mais do que uma terrível vontade de negação dos instintos vitais no indivíduo. Com efeito, nos movimentos da moral cristã, depois da perversão histórica dos valores: Senhores X Escravos, percebemos esse desprezo pelo sentido afirmativo da vida, essa anulação da vontade em proveito da domesticação do animal-homem. Sua interiorização, como produto das forças reativas, carrega a marca do rebanho e, portanto, da estratégia paulínea por excelência: a crença no Ser e na palavra de Deus como condição para livrar-nos do fogo do inferno. Mas trata-se de um inferno, sobretudo, moral, já que julga todas as ações do indivíduo em nome de um olhar muito particular. Ora, trata-se daquele olhar que vê a culpa do outro como um crime contra Deus, como ofensa aos princípios cristalizados do Cristianismo. Dessa forma, ele só pode partilhar do espírito do ressentimento e de seus mecanismos de produzir verdade. Uma verdade que não teme em fortalecer suas convicções sobre o solo, pedregoso e árido, dos valores cristãos. A promessa de salvação das almas funciona, assim, como motor de apaziguamento das energias instintivas e, antes de tudo, da casta dos Senhores que, para merecerem “o reino dos céus”, precisam aceitar um ‘Deus Todo Poderoso’ como atividade primordial do coração.
O mesmo coração que nega o amor à vida, ao sentido trágico e plural da existência; agora, na sombra dos sentimentos morais, vive o drama de personificar o estado máximo do simbolismo cristão. É pelo coração e para o coração dos homens que Cristo-Jesus fala quando profere as sentenças axiomáticas dos evangelhos, principalmente na interpretação dos seus apóstolos. Porém, Paulo, esse Disangelista (tipologia da figura do sacerdote cristão) consegue perverter as palavras de Cristo para fazê-las proliferar numa gama de enunciados. Esses enunciados fixam, por meio de suas cartas aos povos cristãos, um modelo de tradição e crença para toda a posteridade. Por isso, para Nietzsche, o alvo será sempre Paulo e suas estratégias de pregação. Elas demarcam as circunstâncias da negação, sua genealogia e sintomatologia, como expressões do Ser e do Devir. Ou seja, é como se conhecêssemos apenas um único sentido para a vida e o pensamento, o sentido que tem o niilismo por motor e a negação por combustível.
Aliás, o melodrama da morte de Deus, definido por Nietzsche na sua Gaia Ciência, pode ser comparado aos momentos do desenvolvimento do niilismo cristão. Nesse caso, como representação da consciência judaico-cristã, na sua forma reativa, que potencializa o ressentimento como ‘divisor de águas’ em relação a formação dos preconceitos morais, temos o que poderíamos chamar do primeiro momento. A consciência européia, ou o niilismo negativo, mobilizado pela má-consciência, que tem na produção da culpa uma forma de condenar o rebanho à submissão, ilustra o segundo momento dessa morte de Deus. Por fim, os ideais ascéticos conferem ao niilismo seu estado de passividade sublime, talvez sua graça entre a vida e a morte, nem o cristianismo com sua potente memória história consegue abranger essa força de dissolução. Representa, assim, o terceiro momento da morte de Deus, àquele que encontra na consciência budista um instante positivo para elevar a potência do nada para um nada de valor.
Mas o budismo ainda é uma religião da decadência, como o Cristianismo, entretanto, mais original, mais sincera, mais realista do que este. Além de não prometer nenhum “Reino dos Céus”, ele procura operar com a própria dissolução da identidade, do Eu e da consciência. Porque partilha de uma espécie de visão orgânica do indivíduo e seu mundo. A existência assume uma proporção além dos significados cristãos, pois entende a verdade, ou a trajetória que cada criatura faz em sua direção, como um instante iluminado (Satori no Zen Budismo), uma abertura do interior para sentir o devir das forças exteriores. Diferente, portanto, do Cristianismo que interioriza as forças ativas pelo mecanismo do ressentimento, recalcando os instintos e a vontade afirmativa da vida. Por isso, o Budismo é antes de tudo uma religião da saúde, talvez próxima do conceito nietzschiano da ‘Grande Saúde’; ele procura evitar a dor e o sofrimento, ensinando o discípulo a procurar dentro de si as razões para desconstruir qualquer valor que não tenha a vida como ideal maior.
Nesse sentido, o niilismo parte para uma outra etapa da consciência, cujas raízes devem distanciar-se do solo cristão. Os valores, igualmente imbuídos de falsidade e tirania sacerdotal, passam por uma espécie de leveza de sentido, como o trágico bailarino Zaratustra que transforma o nojo em poesia. Também, assim, uma nova tábua de valores poderá se anunciar, trazendo (ou não) a consciência Budista como égide potencializadora de um estado de graça no indivíduo.

Deniz Nicolay

Prova de Idalina Krause

("O colosso", supostamente de Goya. Estampa solta. Gravado à água-tinta brunida.)
Pecado-culpa-depressão
O que Nietzsche diria das terapias bíblicas encontradas a mãos cheias na internet? Diria que a “psicologia sacerdotal” continua a encontrar o homem desgraçado. O pecador que se arrasta desde Adão. Sua culpa é o fardo que carrega. O “deves sofrer” é seu mantra.
“O pecado, digamo-lo uma vez mais, essa forma de poluição da humanidade par excellence, foi inventada para tornar impossível a ciência, a cultura e toda a elevação e toda a nobreza do homem; o sacerdote “reina” pela invenção do pecado”. (NIETZSCHE 1984)
Mas, em sua psicologia, o sacerdote “evolui”. Junto com o pecado trouxe de arrasto a depressão, termo mais contemporâneo que o rebanho já dispõe em seu estreito vocabulário. Dentro da teoria bíblica é preciso tentar um “diagnóstico” próprio para a causa da depressão e entre as alternativas disponíveis estão: medo, culpa, vergonha, raiva, desejo de fugir, falta de esperança, não confissão de um pecado. Nada que não possa ser solucionado pela confiança no Senhor. Eis a receita Cristã aos “doentes”: Adorá-lo com exclusividade, nutrir pensamentos Cristocêntricos, examinar e corrigir os pensamentos negativos e distorcidos, freqüentar cultos.

Nas abordagens bíblicas encontradas na web, é salientado que na Bíblia não se encontra o termo depressão propriamente dito, mas que aparece com outros nomes sugestivos, como por exemplo: “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados (ou deprimidos)” (II Cor 4.8). Nada como uma pequena adaptação de signos para que o verbo se faça!
Causas bíblicas da depressão:

a) Um vazio interior, vida sem sentido. Ecles 1.2: Ecles 1.14
b) Sentimentos de culpa e remorso Sl. 32.3: Mt. 27:3-5
c) Espíritos malignos I Sm 16.14-23:
d) Ira, Ressentimento Gênesis 4.6,7: Gên 30.1:
e) Auto-Piedade I Reis 19.3.4:

As tribulações do diabo também são lembradas:
Tribulação vem em nossas vidas, mas é momentânea, o crente tem que ficar firme na graça, (2 Coríntios 4:17) “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente”. Porém, temos que resistir o Diabo para termos uma vida de paz e amor em todos os sentidos, (Tiago 4:7) “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”. Nunca dando lugar para ele, (Efésios 4:27) “Não deis lugar ao diabo”.
Acreditar em forças diabólicas como verdade, expõe o inimigo maléfico, faz ressurgir o demônio medieval. Nietzsche em sua obra O Anticristo, salienta a importância da palavra “diabo”, que chega e permanece até os dias atuais como um benefício, “não havia necessidade de uma pessoa se envergonhar de sofrer por semelhante inimigo”. Esta é a explicação para uma declaração de sofrimento antes velada e agora afirmada “Eu sofro” por meus pecados. O cristianismo produz a consciência do pecado e dela tira a sua sobrevivência.
Saídas para a depressão:
Terapia do Amor: A verdadeira terapia do amor está em (Efésios 5:22 a 25) “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido. Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”.
Pobres mulheres!!!
Pois como diz o Apóstolo Paulo sobre o amor em (I Coríntios 13:5e 7) “Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; (...) tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.
Ou seja, é a receita cristã para tornar o homem civilizado, manso, doente, decadente. Paulo prega o apequenamento do homem, símbolo da má consciência escrita pelos sacerdotes. Para Nietzsche sofrer não é padecer, o sofrimento despontecializa é preciso paixão, potência, para superar o sofrimento. A conduta do coração não é uma questão de fé, é prática, vida potencial e não uma crença.
Sendo assim: Obedecendo esses ensinos não há demônio que consiga desfazer o amor conjugal e as bênçãos estarão sobre o casal para todo sempre, (Salmos 71:15) “A minha boca relatará as bênçãos da tua justiça e da tua salvação todo o dia, posto que não conheça o seu número”. Tantas são a bênçãos que se torna impossível saber quantas são. O que Deus uniu o homem não separa! Custe o que custar, além de seu fado carregue o fado alheio.
Alerta! Não caia no engodo de terapias, confia unicamente na Palavra de Deus.Creia em Deus e leia a Bíblia.
“Deus, a fórmula para todas as calúnias do “lado de cá”, para todas as mentiras do “lado de lá”. O nada divinizado em Deus; a vontade para o nada santificado!... (NIETZSCHE, 1984)
Que moral é essa perguntaria Nietzsche? Os “sanguessugas pálidos e subterrâneos” ainda pregam suas mentiras como verdades universais? Que imperativos mesquinhos são esses?
Quem deu a eles o poder de julgar?
Novos valores, arte, vida, criação gritaria com o martelo na mão. Uma moral perspectivista, sem fraqueza que domine, sem verdade absoluta, forças produtivas, potências que saboreiem e dão destino a própria existência. Um dar-se conta que a visão cristã não é a única interpretação do mundo, é apenas uma a mais. Há diversidades sempre em devir e elas precisam estar abertas para a eterna novidade da vida, da terra.
“Necessitamos de toda a arte petulante, flutuante, dançante, trocista, infantil e contente para não perder essa liberdade que nos coloca acima das coisas e que o nosso ideal exige de nós (...) é preciso que possamos nos sobrepor á moral e não somente que a inquieta rigidez que receia a cada instante dar um passo em falso e cair, mas com a vontade de alguém que pode planar e brincar sobre ela. Como (pois) poderíamos nesse campo dispensar a arte e o louco?” (NIETZSCHE, 1981)
Aprender a amar o nosso destino, dizer sim a vida com alegria como o coração de uma criança que se nutre do amor, das cantigas e das danças. A boa nova do coração é o amor fati, o que dá sentido a própria vida a cada instante.
Distante das fogueiras, das torturas impostas por uma inquisição que com novos trajes traz consigo o ranço, o mofo sacerdotal que impõe a vida como pecado-culpa-depressão. Sombras de um tempo que para muitos ainda serve com referencial para uma possível salvação.
Vide os últimos acontecimentos divulgados pela mídia: padres pedófilos, exorcismos de um jovem homossexual na Itália, excomunhão dos médicos que fizeram aborto em uma menina grávida de nove anos, que corria risco de vida, estuprada pelo pai, em Recife.
E vide ainda as últimas pérolas do Papa Bento XVI, na semana do Dia Internacional da Mulher: “A máquina de lavar roupas trouxe mais benefícios para as mulheres que a pílula anti-concepcional”. E em sua última viagem à Àfrica – país com o maior índice de portadores de HIV positivo no mundo -, sugeriu abstinência sexual aos africanos, para não utilizarem camisinha.

Quem sabe uma nova invenção?
Terapia não na concepção tradicional, mas como um sistema de percepção que essa experiência reúne, que tenciona, puxa, solta a um fim particular de vida útil. Útil porque é belo, vivo romance todas às sensações, ali podem estar contidas, perfumes próprios, sabores, imagens em movimento.
Forças de produção, vida prática, transam com vida contemplativa, naturezas em ação, sempre novos acontecimentos. Espíritos livres e atuantes em liberdade hora lá, hora cá. Um mundo tal como é, estável, entre criação complacente, prazerosa e o caos. Onde razão grita, mas as coisas sensíveis dão plenitude a realidade, novos verbos, sucedem singularizações, em cada um de seus atos.
Acompanhar jornadas é a terapia prática, a vida na prática, estações de existência, um olhar sobre o que acontece entre paixões e anti-paixões. O que fazem, desfazem? Quais os demônios e seus deuses? O que impõe seus desejos de individualidade? O que ocorreu ou ocorre? Quais sensualidades, vislumbro ao ver essas partes de mundo? Quais mandos, destinos?
A cada novo acontecer não penetra novas coisas? Sua potência não é nova autoria do mundo através de planos que concebeu em seu pensamento? Toda vida não é sempre uma nova vida? Viva a arte e a loucura!!!

Referências:
NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. São Paulo: Hemus, 1981.
________________. O Anticristo. São Paulo: Editora Moraes, 1984.

sexta-feira, 27 de março de 2009


Crédito das Ilustrações (capa e postagem acima): Cassiano Stahl